Uma reportagem especial do Jornal da Record, na série Gargalos do Brasil, chama atenção para um dos principais entraves ao desenvolvimento logístico do país: o atraso histórico na expansão da malha ferroviária.
O Brasil possui atualmente cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, número inferior ao registrado em 1949, quando o país tinha aproximadamente 35 mil quilômetros de trilhos. O dado evidencia décadas de baixa prioridade dada ao transporte ferroviário, principalmente após a consolidação do modelo rodoviário impulsionado no governo de Juscelino Kubitschek nos anos 1950.
Enquanto países de dimensões continentais ampliaram fortemente suas redes, o Brasil ficou para trás. Os Estados Unidos contam com cerca de 250 mil km de trilhos, a China possui 165 mil km, a Índia tem 68 mil km e o Canadá quase 48 mil km.
Hoje, as ferrovias respondem por menos de 18% do transporte de cargas no Brasil, concentrando principalmente minério e parte da produção agrícola. Especialistas apontam que ampliar o uso dos trilhos poderia reduzir significativamente os custos logísticos: o transporte ferroviário pode ser até 50% mais barato que o rodoviário, além de ser mais seguro e ambientalmente eficiente.
A reportagem também destaca o potencial dos trens de carga: cada vagão pode transportar três vezes mais que um caminhão, e um trem com 80 vagões pode retirar cerca de 240 caminhões das rodovias, reduzindo congestionamentos, emissões e custos de frete.
Apesar dos desafios — como alto custo de implantação, que pode chegar a R$ 30 milhões por quilômetro, e prazos longos de construção — o governo federal afirma que busca ampliar a participação do setor ferroviário por meio de programas de investimento e concessões. Nos últimos 30 anos, cerca de R$ 200 bilhões foram investidos na modernização e expansão do sistema.
Mesmo assim, especialistas alertam que o país ainda precisa avançar muito para que o transporte sobre trilhos cumpra um papel estratégico na logística e na competitividade da economia brasileira.
📍 A reportagem reforça um debate cada vez mais presente no setor de infraestrutura: o futuro do desenvolvimento logístico do Brasil passa necessariamente pela expansão e modernização das ferrovias.