A Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente) apresentou, em 19 de fevereiro de 2026, manifestação ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), registrada sob o atendimento nº 0161.0000173/2026, solicitando a apuração do grave incidente operacional ocorrido na Linha 7-Rubi do sistema ferroviário metropolitano.
O episódio, registrado em 18 de fevereiro de 2026, envolveu o descarrilamento de um veículo de manutenção utilizado pela concessionária responsável pela operação da linha, provocando forte impacto na circulação ferroviária. A ocorrência gerou restrição do serviço por aproximadamente oito horas, operação em via única entre Francisco Morato e Jundiaí, além de intervalos médios de cerca de 20 minutos no horário de pico da manhã, exigindo intervenções emergenciais na via permanente, especialmente no trecho entre Botujuru e Campo Limpo Paulista.
Um dos pontos centrais da manifestação é o tempo decorrido até o reconhecimento público do descarrilamento. A comunicação inicial da concessionária classificou o evento apenas como “avaria de trem”, sem admitir a real natureza da ocorrência. Somente posteriormente, em nota oficial, o episódio passou a ser descrito como “deslocamento do equipamento para fora do eixo da via”, atribuído à movimentação do solo durante atividade de manutenção, com informação de inexistência de vítimas.
“A inexistência de vítimas não diminui a gravidade de um descarrilamento. O que mais preocupa é o tempo necessário para que a ocorrência fosse reconhecida publicamente, pois transparência é requisito básico de qualquer serviço público essencial. A apuração independente é indispensável para proteger os usuários e restaurar a confiança no sistema ferroviário.”
— Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Ferrofrente
Para a entidade, a ausência de feridos não reduz a gravidade do descarrilamento, sobretudo por se tratar de serviço público essencial, submetido aos princípios de segurança operacional, continuidade, transparência e adequada informação ao usuário. A demora no reconhecimento do ocorrido pode representar falha de transparência institucional e reforça a necessidade de apuração técnica independente, verificação das condições da via permanente e análise dos procedimentos de manutenção e gestão de riscos adotados pela concessionária.
“Quando um descarrilamento demora a ser reconhecido, o problema deixa de ser apenas operacional e passa a ser de transparência pública. Segurança ferroviária não admite relativização, e a sociedade precisa de respostas técnicas claras.”
— Eng, José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Ferrofrente
Na manifestação, a Ferrofrente requer a instauração de procedimento investigatório, a requisição de laudos técnicos, informações operacionais e medidas corretivas adotadas, além da verificação da adequação da comunicação pública realizada e do cumprimento das obrigações contratuais de segurança ferroviária. Caso sejam constatadas irregularidades, solicita-se a adoção das medidas administrativas e judiciais cabíveis para proteção dos usuários, do serviço público e do patrimônio público vinculado à concessão.
Segundo a Ferrofrente, a apuração ministerial é indispensável para proteger os passageiros, fortalecer a transparência, prevenir novos incidentes e assegurar a confiança no sistema ferroviário metropolitano, especialmente diante da relevância social da Linha 7-Rubi para a mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo.
Links de referência:
https://www.metrocptm.com.br/tic-trens-registra-primeiro-descarrilamento-na-linha-7-rubi/
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