Com leilão previsto para junho, a EF-118 — ferrovia que pretende ligar o Espírito Santo ao Rio de Janeiro e estruturar um novo eixo logístico no Sudeste — volta ao centro do debate após o anúncio de interesse de grupos chineses, europeus e brasileiros. Apresentado pelo governo federal como projeto estratégico para ampliar a eficiência do transporte de cargas e integrar portos, áreas industriais e centros produtores, o empreendimento prevê investimentos de R$ 6,6 bilhões na implantação e capacidade de até 24 milhões de toneladas anuais.
Apesar do discurso de modernização logística, persistem questões estruturais que exigem atenção pública. O modelo de financiamento depende majoritariamente de recursos privados vinculados à renovação de contratos de grandes concessionárias, enquanto o projeto ainda aguarda análise do Tribunal de Contas da União e definição final do edital. O entusiasmo institucional, expresso em roadshows e articulações com investidores, contrasta com a necessidade de maior transparência sobre riscos, contrapartidas territoriais e integração efetiva com a malha ferroviária existente.
Mais do que atrair capital estrangeiro, a EF-118 precisa demonstrar coerência com uma política ferroviária nacional de longo prazo — capaz de equilibrar eficiência econômica, planejamento logístico e desenvolvimento regional. Sem isso, corre o risco de repetir um padrão histórico: grandes anúncios, alta expectativa e baixa transformação estrutural.
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